Contrariamente ao que a maioria dos bracarenses pensa, o S. João não é efectivamente o Santo padroeiro de Braga. Esta associação derivará talvez do facto de a Este ser atribuído o feriado municipal a 24 de Junho. O Santo padroeiro de Braga é S. Geraldo.
RESENHA HISTÓRICA
SÃO
GERALDO
PADROEIRO DE BRAGA
A cidade de Braga festeja a 5 de Dezembro o seu padroeiro. Nada menos que o
primeiro arcebispo desta metropolita arquidiocese: São Geraldo. Motivo para
cerimónias religiosas evocativas de tão insígne figura da nossa história comum,
justifica igualmente a reunião das chamadas "forças vivas", um encontro ímpar
que se vem alicerçando ano após ano.
Nascido de família nobre, o beato Geraldo viu a luz do dia na diocese de Cahors, em França, onde, após o baptismo, foi oferecido a Deus pelos seus pais, cumprindo-se assim os costumes cristãos.
Professou na conhecida abadia de Moissac, foi visitador de mosteiros de obediência desta localidade e chantre da Sé de Toledo. Eleito bibliotecário do mosteiro, tal o seu fervor pela leitura, dedicava-se ao ensino dos monges menos instruídos, tanto na música como nas artes.
Nas reuniões capitulares, distinguia-se pela sua eloquência e erudição, desde logo porque era versado em Gramática, cujo exercício, como bom primicério, regia muito doutamente.
Eleito para a Sé de Braga, foi sagrado em Sahagun pelo arcebispo de Toledo D. Bernardo, que ao mesmo tempo desempenhava as funções de legado apostólico.
Em Abril de 1096,
São Geraldo encontra-se já na "Roma portuguesa". Governa a diocese com a máxima
competência, fazendo todos os esforços para engrandecer a Igreja local, de que é
testemunho o facto de ter conseguido do Papa Pascoal II a dignidade de Braga
como metrópole da Galiza
A sua
acção em prol deste engrandecimento bracarense registou sempre o apoio do Conde
D. Henrique, que nisso via maneira de fomentar a independência nacional. Por
alguma razão chegou igualmente até aos nossos dias a informação de que terá sido
o nosso primeiro arcebispo a baptizar o nosso primeiro rei, D. Afonso
Henriques.
Morreu São Geraldo no concelho de Vila Pouca de Aguiar, quando, em Dezembro de 1108, por lá andava em visita pastoral. Foi então trazido para Braga e sepultado na capela que edificara em honra de São Nicolau, junto da Sé.
Cedo foi organizado o seu processo de canonização e, em fins do século XII, aparece já como Padroeiro da Diocese que tão eficazmente governara.
CAPELA DE SÃO GERALDO
É uma
das capelas anexas à Sé Primacial de Braga e situa-se na sua fachada norte.
Trata-se da Capela de São Geraldo, edificada por este arcebispo, como capela
mortuária, em honra de São Nicolau. Tendo sofrido várias alterações ao longo do
tempo, foi reconstruída, nos princípios do século XVIII(1712), por D. Rodrigo de
Moura Teles, motivado que estava por uma grande devoção ao santo prelado,
patrono de Braga e dela seu primeiro arcebispo.
A 5 de Dezembro, Festa de São Geraldo, encontra-se aberta ao público,
apresentando-se os seus altares ornados de frutas da época, que substituem as
tradicionais flores. Deve-se esta particularidade a uma lenda, como uns querem,
ou ao primeiro milagre, como outros defendem, operado pelo santo arcebispo:
«encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra
fria, nos princípios de Dezembro, cercado o tugúrio onde se refugiara com os
seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos
ardores de febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga
algumas peças de fruta. Para aplacar a sede e dar um pouco de alento ao seu
debilitado corpo. Responde-lhe o seu fâmulo que naquele lugar e com aquele tempo
invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia talvez
encontrar ainda espalhadas pelo chão algumas castanhas e nada mais. A esta
observação responde São Geraldo: "vai e procura!". Então, por uma frincha da
porta por onde entrava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao
redor do terreiro, estavam floridas e recheadas de belos frutos».
Quanto
à capela, rico património edificado no contexto de uma catedral de que Braga se
orgulha, a sua porta principal abre-se num arco em ogiva, por cima da qual se
encontra uma janela igualmente ogival, com vitrais verdes. Outras janelas
góticas se encontram na parede nascente, tapadas, contudo, no interior por
retábulo que encobre totalmente esse espaço. A sul, abrem-se também três grandes
janelas rectangulares com vitrais coloridos.
Ao transpormos a porta da capela, deparamos com um magnífico retábulo, com motivos animais e vegetais, que adornam as suas entalhadas colunas torsas, manifestação de arte barroca, tão disseminada na região nortenha.
Clássicos azulejos azuis e brancos, representando cenas da vida daquele santo, forram as paredes laterais da capela até à altura das janelas.
Coberta
por uma abóbada de canhão, esta capela destaca um retábulo em talha dourada,
também com motivos animais e vegetais, ao centro do qual se encontra o túmulo de
São Geraldo, primeiro arcebispo bracarense. Já em campa rasa, está aí tumulado
D. Rodrigo de Moura Teles.

FONTE: http://alfarrabio.di.uminho.pt/~brgcultural/dezembro98/nacapa.html